Escrever é
falar no papel
(Hélio
Consolaro )
Escrever é falar no
papel. Esta frase foi retirada do livro de Donald Weiss Como Escrever com
Facilidade, do Círculo do Livro. Ele afirma que o medo acaba inibindo as
pessoas alfabetizadas a escreverem. Já que escrever é falar no papel, o
primeiro passo para perder este medo é escrever como se estivesse falando,
depois vai melhorando o texto, fazendo várias versões (rascunhos) dele.
Ele conta a
história de João Carlos, um funcionário que criou um produto novo e foi fazer
uma exposição sobre ele à diretoria da empresa. Ele foi tão bem que acabou
sendo designado a diretor de "marketing", mas Wilson, presidente da
empresa, pediu que lhe entregasse o texto de sua fala na próxima semana.
A sua promoção, um
sonho acalentado há muito, acabara se transformando em suplício, pois João
Carlos nunca fora um bom aluno em Português, era traumatizado, não conseguia
redigir um bilhete, imagine passar no papel a fala de quase uma hora.
No final do dia, ele
tomou uma decisão, foi falar com Wilson. Desistiria da promoção e acabaria com
aquele ansiedade. Wilson não aceitou a sua abdicação, pois se ele dissera tudo
aquilo tão bem, sem nenhum texto previamente escrito, João Carlos era mais
inteligente do que imaginara. E foi mais além, dizendo-lhe que se ele teve a
capacidade de falar tão bem, conseguiria escrever também. Era só perder o medo.
Às vezes, me
perguntam como consigo escrever todos os dias, "fazer bons textos",
de onde veio esta facilidade. Eu digo que já construí, e continuo, muitos
textos ruins, a única diferença entre mim e o inquiridor é que sou corajoso,
não tenho exarcebado em mim o senso de ridículo.
Escrever sem medo e sem preguiça, fazendo vários rascunhos, lendo em voz alta o
texto escrito para descobrir as falhas (subvocalização) são técnicas
indispensáveis. E o restante advém da coragem, de não ter medo de errar e de
ser criticado por alguém que nunca escreveu nada, mas que está sempre pronto a
destruir a criatividade do outro.
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